Vamos falar hoje de um assunto que tem bastante interesse dentro da Psicologia Analítica, e que é a relação entre doenças,sintomas e o Inconsciente.

 

No olhar da Psicologia Analítica, é mais do que plausível a relação das doenças com elementos simbólicos do inconsciente e não irei aqui me ater as questões relativas a validação ou controvérsias existentes dentro da medicina ou do próprio senso comum no que diz respeito a esse assunto, afinal o foco aqui é falar da visão junguiana dessa questão.
Simplificando uma questão complexa, temos na nossa estrutura psíquica, um Arquétipo que é responsável pelo nosso desenvolvimento potencial enquanto sujeito, e a esse Arquétipo damos o nome de Self. Dentre as funções do Self está propiciar uma manifestação de símbolos que permitam ao sujeito caminhar em direção ao seu próprio desenvolvimento, esse é o tão falado processo de individuação.

Atualmente muito se fala dos aspectos emocionais de diversas doenças. Possivelmente, você que lê esse texto já se deparou em algum momento com algum artigo/reportagem que falava da provável relação entre câncer,gastrite, doenças de pele, enxaquecas entre tantas outras doenças e um possível elemento emocional/afetivo que poderia influenciar em sua aparição ou evolução.

Nós acreditamos que os conteúdos psicológicos são dotados de energia psíquica e cargas emocionais/afetivas e que essa pode “escoar” para o corpo, quando não estão bem elaborados e quando isso ocorre a doença/sintoma é uma representação simbólica do aspecto que precisa ser elaborado. Toda manifestação nesse sentido é um chamado do Self, tentando contatar o Ego e a consciência, para que seja elaborada a questão relativa aquela situação. E isso se dá simbolicamente pois o simbolo é a linguagem básica do Inconsciente, ele é o facilitador e o meio pelo qual se pode reconhecer o que se passa em nosso “mundo interior”. Um sintoma nunca tem um sentido oculto, ele é uma objetiva, mas nem sempre clara a primeira vista, do que o inconsciente pretende comunicar. Onde quer que ele se manifeste, é lá que precisa ser investigado o seu sentido simbólico.

Alguns desses sintomas podem ser relativos também a estruturas psicológicas que chamamos de “complexos”. Os complexos por si só já são núcleos de intensa carga afetiva e que constelam muitos conteúdos no nosso inconsciente e dependendo de como estes se encontram podem também manifestar-se no corpo, principalmente em doenças crônicas ou cíclicas que trariam esse movimento de tentativa de “comunicação” simbólica.

Ao longo da historia da humanidade as doenças muitas vezes foram vistas como manifestação de uma punição divina ou de um caráter sobrenatural nesse sentido, e essas noções por serem simbólicas,podem ainda serem aplicadas de maneira inconsciente. O corpo sofre ainda das influências dos “deuses” simbólicos interiores e que habitam o inconsciente. Todas essas estruturas,sejam complexos ou Arquétipos, tem uma possibilidade de atuação e manifestação no nosso componente corporal já que ele é o veiculo pelo qual o inconsciente consegue se manifestar.

Manter uma boa relação com esses nossos conteúdos inconsciente é sem sombra de duvidas uma maneira de minimizar os efeitos que eles podem ter sobre nós. Um bom processo psicoterapêutico te permite compreender,entender e reconhecer o caráter simbólico daquilo que se manifesta no seu corpo. E isso passa desde sintomas corriqueiros, chegando até mesmo à ansiedade e depressão. Pois quando o sintoma ecoa pelo corpo, ele deve ser encarado como um pedido de ajuda do inconsciente.

Buscar uma relação harmoniosa com o inconsciente, é o caminho mais seguro para que se possa lidar com tudo aquilo que ele pretende trazer até nós. Existe ainda uma possibilidade de elementos de sincronicidade relativos a manifestação dos sintomas,porem essa discussão se tornaria ampla demais e poderia fugir ao objetivo desse texto.

É interessante observar que dentro da Psicologia analítica encontramos referências sobre o tema em algumas obras interessantes:

Jung e Reich: Articulando Conceitos E Práticas  por Laura Villares de Freitas e Paulo Albertini

A Questão do Corpo Fisiológico e do Corpo Simbólico em Psicossomática- Walter Boechat

 Aspectos Históricos da Problemática Corpo-Mente- Walter Boechat

A dinâmica do inconsciente- C.G. Jung

Simbolos da transformação da Libido- C.G. Jung

Estudos sobre Psicologia Analitica- C.G Jung

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